Sarau da Ocupação São João
08 abr 2012 Deixe um comentário
Prometi não abandonar o blog, eis que volto um mês depois…
E as pesquisas pro futuro doc. continuam fervendo! A ocupação que visitamos nesse último mês foi a do antigo hotel Columbia Palace, quase na esquina do famoso cruzamento da Ipiranga e São João. Perto da República, perto da Galeria do Rock, perto do Largo do Paissandu. Triste ver que para muitos o “antigo” centro da cidade está morto, mas esse pensamento em breve vai ser repensado, tem que ser! Arquitetura linda, capacidade máxima, mas uma cidade esquecida, completamente tomada pelo comércio. Qual o sentido de tantos prédios desocupados e tantas pessoas sem moradia? Paradoxos que infelizmente ainda existem aqui em nossa Gotham City.
Fica o convite para o sarau mais quente do centro de São Paulo!
Menos motor, mais amor
07 mar 2012 Deixe um comentário
Aquele momento em que dá vergonha ser paulistana e ouvir comentários como:
“Tudo bem protestar para aumentar a segurança pros ciclistas, mas atrapalhar o trânsito, aí já é demais”.
E a morte de mais uma ciclista? “Aí” não é demais?
Aborto e o medo de falar sobre
11 fev 2012 16 Comentários
Com a declaração da nova ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci, de que o aborto é questão de saúde pública, a polêmica volta a ser assunto em redes sociais. Já escrevi aqui e continuo firme em minha posição – sou completamente favorável à legalização do aborto.
Vejo como um grande defeito de nossa sociedade como um todo a dificuldade em manter uma conversa, terminar de entender a posição do outro, e dialogar. Para mim não é algo que faz sentido usar religião como argumento contra a legalização do aborto. Respeito a fé individual, mas cada dia mais esquecemos que nosso Estado é laico, e as decisões também devem ser!
Eu faço parte de um grupo fechado do facebook de uma cidade do sul de Minas Gerais. Meus falecidos avós e alguns parentes são de lá, e de certa forma, me sinto um pouco parte. Assim que saiu a declaração da ministra um membro do grupo jogou o link e começou a conversa. Inicialmente muuuuitas críticas à ministra, parte por ser “colega de cela” da Dilma, parte por conta do partido… Mas não demorou para começarem os comentários sobre a interrupção da gravidez em si, e aí começou a discussão, que felizmente foi positiva. Não quero impor minha opinião sobre a de ninguém, mas senti um grande alívio ao perceber respeito nos comentários.
Mais do que nunca é necessário haver debate e esclarecimento. Abortos acontecem, de maneira clandestina para todas, e de maneira precária para quem não tem dinheiro. Qual o sentido de manter algo, que mata milhares de mulheres anualmente, escondido?
Se a interrupção da gravidez for regulamentada não será de forma arbitrária. A grande diferença da realidade que existe hoje é que menos mulheres morrerão, menos pessoas serão presas e menos abortos serão realizados. Isso porque os índices de aborto em países onde a prática é legalizada é cada vez menor, e a regulamentação vem acompanha de uma intensa campanha de controle de natalidade.
#SP458
25 jan 2012 2 Comentários
Sou paulistana nascida, criada e apaixonada por essa cidade.
Eu tenho respeito pela minha cidade, diferente do meu prefeito. Eu tenho respeito pelos cidadãos que aqui vivem, moram, trabalham. Eu não sou uma dessas pessoas que acreditam piamente que São Paulo é a locomotiva do país. Eu acredito em pessoas, eu acredito em ações, eu acredito em sentimento. Não compactuo com os preconceitos, com a violência, com o trânsito, com a equação “mais pressa, menos educação”. Não concordo com Criolo, existe amor em SP sim. É um amor discreto, que pode passar despercebido, mas existe sim. A cidade tem pessoas que pulsam, trabalham, vivem. Eu desejo para a minha cidade melhores cidadãos, mais amor e mais saúde. Minha cidade está machucada, esquecida, e, infelizmente, alguns valores estão trocados. Mas ainda assim eu confio que temos capacidade de mudar todos esses paradigmas. Com amor e respeito em todos os lugares. No centro, nos bairros, nos condomínios de luxo e nas favelas.
Parabéns pra todos nós que batalhamos e ainda assim amamos as pequenas doses diárias de caos!
#MoinhoVivo
22 jan 2012 Deixe um comentário
O fim de 2011 foi de tristeza e revolta na favela do Moinho, no centro de São Paulo. A comunidade, que conseguiu recentemente o usucapião, fica localizada em um terreno em que antes funcionava a Empresa Moinho Santa Cruz. No dia 22 de dezembro um incêndio atingiu parte da favela e o antigo prédio da empresa. Deixou mortos, feridos e desabrigados. O edifício, apesar das precárias condições, era o teto de muitas famílias.
Como forma de mostrar apoio aos moradores da favela, aconteceu hoje o Festival Moinho Vivo. Vários grupos de hip-hop realizaram shows na favela, e diferentes grupos se uniram em prol dessa luta, como, por exemplo, as Mães de Maio. A comunidade está precisando de doações de mantimentos, remédios e roupas.
Eu e amigos conversamos com um ex-morador do antigo prédio da favela. A tristeza nos olhos ao contar que viu dois moradores mortos nas chamas, enquanto ele voltou ao local para resgatar seus três cachorros. Essas famílias estão espalhadas agora. Mais do que a perda do teto, é a perda do lar, o espaço em que foram criados laços humanos, de sentimento.
O pessoal do Moinho Vivo, que se descreve como uma iniciativa autogestionária de produtores, militantes, moradores e ativistas, criou os dois vídeos que posto abaixo para discutir um pouco mais sobre o que não foi dito pela imprensa.
5 mentiras… o quê?
14 jan 2012 Deixe um comentário
Passados os meses de “obrigatoriedade” do blog e me deu vontade de fazer uma apresentação. Eu sou estudante de jornalismo da PUC/SP, e criei o 5 Mentiras para a disciplina de jornalismo alternativo com nosso professor Leonardo Sakamoto. A proposta da aula era fazer um jornalismo diferente do mainstream. Nós – eu e os puquianos sinalizados nessa lista aí ao lado – escolheríamos um tema e faríamos posts semanais. No entanto, pelo menos no meu caso, ficou um pouco complicado me focar apenas no tema que escolhi: cultura. Mas eu resolvi estender um pouco o entendimento de cultura e, além de teatro, música etc., me relacionar a tudo que diz respeito à nossa cultura como um todo.
O semestre acabou, a disciplina acabou (tirei nota alta, obrigada!), mas eu gostei da brincadeira do blog e pretendo dar continuidade. Esse é meu último ano na PUC/SP (se o FIES me permitir, mas isso é assunto para outro post) e o ano de entrega do TCC, o temido trabalho de conclusão de curso. Eu decidir fazer em dupla com meu amigo Mauricio Lima, e o tema será sobre ocupação urbana no centro de São Paulo.
Eu moro num bairro no centro da capital (se o aluguel me permitir, mas isso é assunto pra outro post) desde 2006, e sempre me intriguei com a quantidade de prédio abandonados, prédios ocupados “ilegalmente” e cortiços na região. Sempre quis entender a lógica frenética de ocupação nessa cidade, e, principalmente no centro. Levei minhas ideias e dúvidas pro Zé, o tal Mauricio Lima, e ele entrou de cabeça comigo nessa história. Quero compartilhar com aqueles que, por ventura, pararem aqui no blog o parto do vídeo que queremos fazer.
Apresentação feita. Música de boas vindas para 2012, para o novo momento do blog, do TCC e de tudo mais que tiver por vir. Até! Roberta Roque
Não queimamos mais sutiãs
01 dez 2011 Deixe um comentário
em Sem categoria Tags:machismo, mulher
Mas nossa luta continua. Diariamente. A cada escolha, em todos os instantes, é necessário fazer diversos cálculos a mais quando se é mulher. Aquele encontro com os amigos requer diferentes planejamentos: Qual caminho farei para ir: O mais curto e mais escuro, ou o mais demorado e seguro? A que horas voltarei?
É necessário impor respeito a todo instante. No mundo corporativo não é raro ouvir casos de mulheres que deixam de criar amizades para manter seu cargo – sem fofocas, sem intrigas. Como ser vista como uma profissional, não como uma “bonitinha”? A Camila Vallejo, estudante de geografia e uma das cabeças dos protestos no Chile, passou de revolucionária para mais uma “it girl” através da mídia burra. A questão é: Sua beleza transforma seus ideais atitudes em algum aspecto? NÃO!
Muitas vezes acreditamos ERRONEAMENTE que o machismo terminou. Mas, mulheres ainda são espancadas, estupradas, diminuídas… E nossos deuses da publicidade não me deixam mentir que a mulher é apenas um corpo: devem ser gostosas, fazer charminhos, seduzir para conseguir alguma coisa. Eu tive o desprazer de ouvir um colega dizer, sobre o caso da Sakineh Ashtiani (iraniana condenada ao apedrejamento por adultério), que o apedrejamento de mulheres deve ser respeitado, pois é da cultura de determinado povo. Seguindo essa assustadora lógica o espancamento de mulheres por seus maridos, a desigualdade social e a violência contra gays, só para citar alguns casos, também devem ser respeitados, não? Afinal, isso é tão comum na sociedade brasileira que já deve fazer parte de nossa cultura. As tão aclamadas tradições existem, mas podem ser renovadas. Estaríamos na monarquia se levássemos em consideração esse pensamento pequeno e retrógrado.
Para aqueles que consideram mulheres como “coisas”, meu desprezo.
E escuta um pouco do som de uma mulher talentosa, inteligente e, sim, linda que faz um PUTA som

